Educação é, assim, vida no sentido mais autêntico da palavra.” Anisio Teixeira.

Falem sempre a verdade!


Vou começar esta história como todas as outras.

Era uma vez um garoto, que ao se juntar com outros meninos de sua escola, decidiu ir nadar em um lago ao invés de assistir às aulas. Já no final do ano letivo e por morar um pouco distante, sua mãe não perceberia a sua ausência.

Combinaram tudo, aquele dia seria especial, o tempo ajudava. Então saíram logo cedo, pois a caminhada era um pouco longa, e eles precisavam estar de volta ao findar das aulas.

Caminharam cerca de uma hora e meia até chegar àquele que seria o ponto de diversão para a manhã daquele dia. O lago estava lá, misterioso, com aspecto de perigoso, mas eles eram garotos destemidos e cheios de confiança própria, não se intimidariam.

Nadaram, mergulharam, se divertiram muito; a água estava uma delícia! Tudo até ali foi perfeito.
Na volta, um coqueiro que estava à beira do caminho, chamou a atenção deles, por estar com seus cachos carregados de coquinhos amarelinhos e apetitosos aos seus olhos.

Resolveram então pegar alguns, já que estavam com fome. Foram até lá, pegaram os que estavam caídos, mas eram poucos, então começaram a atirar pedras na tentativa de derrubar outros mais. Estava dando certo, pois a cada pedrada o chão ficava forrado de coquinhos amarelinhos e carnudos.

O menino maior da turma, mais forte, pegou uma telha grande e pesada e conseguiu atirar no cacho que jorrou coquinhos no chão, foram muitos mesmos, e todos dessa vez aproveitaram para pegar tudo quanto podiam, pois era a última pedrada do dia, já que estavam atrasados.

Mas aconteceu algo diferente desta vez; ninguém notou, mas aquela telha grande e pesada ficou enroscada lá no alto, no cacho e ao cair os coquinhos, a telha se sentiu liberada, pois já havia cumprido a sua missão e voltou. Voltou com tanta força, que atingiu a testa do nosso garoto, e fez um estrago muito grande, quase o matando.

Os meninos ficaram apavorados, não sabiam o que fazer. Resolveram que tinham que leva-lo ao pronto socorro, e assim o fizeram. O garoto foi atendido, estancaram o sangue e fizeram lá um curativo. Agora o maior dilema, após uma desobediência dessas, o que dizer para a sua mãe!

Quando chegou em casa, sua mãe estava preocupada com a demora e quando viu o curativo em sua testa, perguntou o que havia acontecido, mas já estava tudo planejado, a mentira já estava pronta, então foi só aplica-la. Ele disse que estava jogando futebol no pátio da escola e que tinha caído e batido com a testa numa pedra.

A mãe acreditou na mentira e ela até a confirmava quando alguém perguntava o que havia acontecido com ele.

Aquela mentira gerada pela minha desobediência, foi mantida por mais de dez anos, mas a cada vez que olhava no espelho e via a cicatriz, me sentia muito mal.
Um dia, contei a verdade, fiquei aliviado, mas a marca ficou.

Hoje, primeiro de abril, é o dia da mentira. Não brinque com ela, pois sabemos muito bem quem a inventou e que ela deixa marcas profundas.

Que Deus nos ajude a contar sempre a verdade
Paulo Menezes